segunda-feira, 10 de maio de 2010

Razão do tempo

Apenas o Mundo advém da experiência secundaria nos terrenos da cultura como um toque de chamamento nas portas dilacerantes em batalhas reencarnadas na secura dos meus lábios , salivo as noites impregnadas de mau cheiro...hospital doentio nas suas formas esculpidas de loucura...posso percorrer os seus corredores lunáticos de luz branca...mais nada me fará voltar atrás neste doce cintilar que espera o chamamento da escuridão , atravesso a minha alma Radiográfica num vazio mirrado.

O medo que se transforma numa fraca pulsação dos pensamentos , risos sarcásticos que analisam a vergonha do meu olhar...cruel respirar nas busca da salvação , sedativos deprimidos arrastam-se para um estranho Mundo de serenidade repletos de amor e devassidão.

A razão do tempo que não encontro , tudo parece fazer parte dum presente recente que não vivo , um passado esquecido nas suas feridas que rastejam impacientemente nas suas lamurias silenciosas...

Mente concreta e sonolenta , ritmos solitários esquecidos e abandonados na estrada voluptuosa...curva após curva no destino desconhecido seguindo a brisa fresca e fatídica...viajamos assim para os tempos passados nesta era que se encontra perdida , somos modernos até ao ponto que nada temos e nada fomos , caminhamos para uma recta final dos nossos dias que anunciam o Mundo de doença e peste.

Acabaremos como qualquer outra grande civilização fazendo assim história para uma outra humanidade...

Melodia penetrante no olhar que não me julga na casa do desejo perpetuador do silencio...as folhas contêm linhas rectas de paz que equilibram o meu espírito atormentado , sinos ao longe lançam para um céu aberto a liberdade dos tempos , escondem-se os medos e as saudades no rosto sonolento de morte...

Respira-se pacientemente nos campos livres da aurora o fim do mundo...

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pinturas Ocultas

Acordados numa súbita vigília da noite , percorre por mim suaves momentos de apatia...terna apatia sem sentido como a perda fraca do sussurrar conspirado nas lamurias do passado.
Alma que se mente...porque continuo a acreditar em ti ?

Perdida estas em mim num longe renascer do olhar...

Respiração pobre que abafa a minha vida...perdi anos e um futuro construtivo...alimentam-se as esperanças e os falsos testemunhos , herdei culturas e pensamentos de terceiros como heróis quebrados nas suas viagens intemporais.

Sou a morte terminal
A mentira do amor
O corpo rígido surreal
Permanecido na dor

O vomito da boa disposição que saboreia as horas perdidas do coração...
Eu desci bem fundo na minha doença obscura da solidão , trago e levo oração nas assas fracas do entardecer...

Seguem-se momentos de fina luz que iluminam os rostos da noite , erguem-se olhares assustados na direcção duma terra oculta carente de emoção distante...
Distantes os meus pensamentos que me levam até ti...até mim , pintas as cores que te vão na alma num céu aberto de orgulho...tela branca a colorir o teu abstracto oculto por mim esquecido.

Assim se faz noite
Assim se seguem as horas
Buscas dos dias em pedras esculpidas...

O rumo nem sempre é certo
O risco nem sempre compensa
Quando a energia quebra ao acordar...sem que nela possa acreditar , doce respirar , corpo perfeito da saudade...faz-me sentir de novo os dias de amor eterno.

domingo, 21 de março de 2010

Pecado Ancestral

A Gift of a Thistle

O som vagueia pela nossa mente numa noite estagnada de inspiração...
Quarto solitário de portas imaginarias nas mais calmas saudades , animal deitado e atento a cada compasso e nota musical...alisando o seu pêlo brilhante nos olhos de diamante que surgem ao amanhecer.

A minha alma selada como um muro pesado e escuro...
Áspera de pontas salientes e curtas , desfaço-me num sonho em busca da realidade a cada canto quebrado...
Respiração duma vida , adormecemos na mais pura verdade das melodias , alimento o meu choro retraído nos sentidos do meu olhar...não voltarem a sentir o pulso da vida como nos tempos de inocência que me puxaram para um solo fundo de sangue.
Paginas dum caderno que se desfolham...olhares atentos que pisam...palavras secretas que se escondem fora dum alto e misero silencio numa sociedade que em mim se esconde.
Existem gritos da historia que não se discutem mas que ecoam nos céus da realeza , manto da escuridão que rasteja nas sombras do coração.

Distante viagem...estradas abandonadas que me guiam na tua direcção.

Morrendo de pé numa berma desprezada , seguem esqueletos abandonados para longe horizonte , destroçando caminhos imperceptíveis numa luz que nos encadeia...desfocada na serenidade dos meus dias.

Mundo escondido que não consigo alcançar , vivo da historia e dos passados ancestrais...
Numa rua me deito...
Numa rua adormeço...
Os passos da manhã numa infinita sombra que se esconde ao acordar...tu renasces , cantas , danças no meu pensamento...eu no meu abrigo pálido sempre me esconderei.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pedaços ancorados

Pedaços ancorados nas vertigens da alma , fantasmas mergulhados nas profundezas ocultas da imaginação...
Nada se faz sentir na nossa Era , ruas desertas nas madrugadas escuras esperando os nossos passos e rumos como companhia.
O medo é o amuleto que sustem a nossa vida , pequenos percursos nos infinitos minutos que passam da nossa existência.

Por vezes é tão difícil sentir algo quando os anos ditam e condenam aquilo que construímos...

Será a mente e os ideais uma construção real do tempo ?
Serei eu no espelho da idade uma forma de ilusão?
Fixa-se o olhar , procuram-se moldes perfeitos e respostas na invencibilidade que desejamos ter.

Que será melhor...

Ter um espelho quebrado?
ou
Um espelho desfocado ?

O ar que sai de nos não chega para escrever tudo aquilo que sentimos , ele esconde-se da realidade , foge dela e afoga-se num abismo sem retorno...

Mas eu...

Quero-te encontrar na mais pura forma de inocência...
Quero o teu olhar longe do mal da humanidade...
Olharei sempre para ti nos mais belos elementos vitais da terra , tu serás sempre Fogo , Ar e Mar...uma forma atraída de Metal por mim idealizada.
Com o passar dos anos não terás mais medo da fantasia nem da realidade...pois um dia num sonho teu ao acordares , as cores da vida irão te envolver sempre na mais perfeita das mulheres.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Palavras que se escondem

Olho na direcção do infinito...
Longa a noite que arrasta nos céus , tapam este mundo incolor criando apenas sombras e cantos solitários.
Olhos os meus semicerrados lutando em horas pestanejantes , sem razão nem dor anunciada secando lagos de gloria...pois em cada pagina que viro na historia não vejo uma saída possível.

Bem-dita luz que surge
Ilumina cada corpo ao adormecer
O meu escurece de susto
Pois ninguém me quer ver

Levantam-se pequenos mantos
Surgem Gritos agudos e cristalinos
Queima-se vontades , esperam-se saudades e ansiedades...

Sons de fundo como trovões , proclamam o inicio e fim das nossas eras...
Cada toque subtil da humanidade são como gotas perfeitas em solo quebrado...
Assusta mais viver na fantasia que aceitar a realidade.

Cada riso abafa uma dor
Cada olhar analisa a imperfeição
Cada passo se faz com amor
Num gesto de salvação

Espera-se impacientemente que se queimem os pensamentos num fogo impiedoso...
A noite é longa e a festa é nossa.

O medo como estado de alma nas profundezas secretas que nos envolvem a cada dia que passa , reinos por descobrir nas mais altas montanhas do passado.
Foge de mim pobre alma que analisas !
No fundo teu olhar descubro os teus medos em palavras...

As palavras que se escondem em ti...
São as palavras que se escondem de mim...
Procuram-te encontrar em sonhos , criando dum inicio um fim.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Lutando com um sonho

Adormeço lentamente , a minha mente viaja num passado curto por instantes ,
Por momentos pensei estar preso num sonho...
O escuro dum quarto , outrora pesadelos em tempo real...tão frio e solitário como certas madrugadas...portas de madeira que se abriam em tempos de felicidade , era apenas uma criança querendo colorir o seu próprio mundo.

O medo por vezes faz-nos sentir tão vivos , lutando com o nosso interior e abafando os caminhos de dor...
Este espaço já foi meu , neste espaço já vivi...acordo fraco e caminho na direcção da porta , mesmo ao lado encontra-se outra divisão e não sei se ela me faz sentir confiante ou atormentado.
Ao longo da minha visão e bem abaixo dos meus olhos vivos existe um corredor...tapete movediço criando ondas subjugadas nas rochas perdidas do presente , são os anos que passam...

Eu tenho medo de pisar , pois curtos caminhos por vezes são difíceis de atravessar e muros interiores são por vezes imperceptíveis...

Quero acordar mas este sonho leva-me...prende-me fazendo-me sentir confuso e sem saber em que local me encontro.

Acordo !

Mas

Estes pensamentos puxam-me para um fundo sem fim...

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aos comandos da vida

Pearl Jam - Indifference



As marcas na pele numa posição morta em redor deste céu vermelho...
Elas formam caminhos numa corrente sangue que se esvaia com o passar do tempo
Olhar de cinza negro
O rosto pálido da noite
Analisam-se os acordes na recta final dos nossos dias...

Esbate-se a veia do cansaço , o retorno da noite em fogo posto...
Zumbido ardente da canção...vozes apressadas , se escutar-mos com atenção este lume fala connosco.

Curta metragem do pensamento , alinham-se os corpos em tempestades do mal...

Será verdade a razão do tempo ?

Chuva de cinzas reinventam-se na historia da humanidade...
Tempo leve e pesado , as nossas vidas ancoradas na escuridão
Sou tão livre como uma pena delicada que segura a minha mão

Corrente de palavras vagueiam na minha mente...
Ao longo desta estrada surgiram sonhos e mitos , terei concertos inteiros na minha cabeça...?
Será tarde...a minha vida esgota-se.
A todo o momento abafo um sentimento que surge , por vezes engano e nego o amor...a única fonte da minha salvação.

Acreditar na esperança aos comandos da vida
Assim sou eu...uma parte desconhecida que me mantém vivo , mas que me domina.
Dominando a vida dominamos a morte...não tenho a certeza disso.

Prevejo a morte em sonho , sei como ela actua nos nossos sentidos...
Podemos sentir a imortalidade em certas alturas do tempo..é um sentimento poderoso , porém enganador.

O dia dá oportunidade à noite para se mostrar
Mas a noite não espera nem gosta da madrugada...
Toda a luz que surge é como uma primeira vez
Só percebe a sua pureza quem um dia nela se desfez...

Por vezes nada me diz...

Tenho medo de ficar , tenho medo de partir...